Aluguel, seguro, van, software, o seu tempo no escritório. O overhead corre todo mês, com ou sem obra, e some do orçamento de quem não mede.
Pergunte a um contractor quanto custa a obra e ele responde na hora: material, mão de obra, subs. Pergunte quanto custa manter a empresa aberta no mês em que não fecha nenhuma obra, e vem o silêncio. Esse custo tem nome: overhead. Ele corre todo mês, com ou sem trabalho, e é o primeiro a sumir do orçamento de quem não mede.
Overhead é o custo de existir. Você paga aluguel, seguro, van e software mesmo no mês parado. Se esse custo não estiver embutido em cada orçamento, ele sai do seu lucro.
Custo direto é o que pertence a uma obra específica: o material daquela casa, a mão de obra daquela equipe, o subempreiteiro daquele serviço. Se a obra não existe, o custo direto não existe. Overhead é o contrário: ele existe independentemente da obra. É o custo de ter uma empresa, não de tocar um projeto. Confundir os dois é o começo do orçamento furado.
Na construção residencial, o overhead costuma incluir:
O item que mais some da conta é o tempo do dono. Você passa horas orçando, faturando, comprando material e vendendo. Esse trabalho tem valor, e quando ele não entra no overhead, a empresa parece mais enxuta do que é, os preços saem baixos e o dono termina o ano exausto e sem lucro. Coloque o seu próprio salário administrativo no overhead. Se você não se paga pelo trabalho de escritório, alguém está lucrando com o seu tempo, e não é você.
A faixa típica de overhead na construção fica entre 25% e 40% da receita. Construction businesses pequenas costumam ficar em 25% a 35%; quem trabalha com escritório em casa consegue chegar perto de 20%. O velho padrão do setor, conhecido como "10 e 20", assume 10% de overhead e 20% de lucro, mas na prática das pequenas o overhead real é mais alto do que 10%, e é justamente essa diferença que engole o lucro de quem usa o número errado.
A conta é simples e você faz com os números de um ano:
Qualquer um dos três funciona, desde que você use um de forma consistente. O importante é que nenhum orçamento saia sem a fatia de overhead embutida.
Todo dólar de overhead que você não embute no preço sai de algum lugar, e esse lugar é o seu lucro. Uma construction business que gasta US$40 mil por ano em seguro e não coloca isso nos orçamentos está pagando para trabalhar. Meça o overhead uma vez, transforme numa taxa e aplique sempre. É a diferença entre uma empresa que cobre o custo de existir e uma que descobre, no fim do ano, que trabalhou o ano inteiro para pagar contas que nunca apareceram no preço.
Nem todo overhead se comporta igual. O fixo não muda com o volume de obra: aluguel, seguros, software, contabilidade. Você paga o mesmo tendo uma obra ou dez. O variável acompanha o movimento: combustível da frota, horas administrativas extras, comissões. Entender essa diferença ajuda em duas decisões. Primeiro, mostra o seu ponto de equilíbrio, ou seja, quanto você precisa faturar só para cobrir o overhead fixo antes de pensar em lucro. Segundo, evita a ilusão de que crescer dilui todo o custo: parte do overhead cresce junto com você.
Muitos contractors descobrem o overhead da pior forma: crescendo. Dobrar o número de obras costuma exigir mais uma van, mais um administrativo, mais seguro, mais software. Se os preços foram formados com a taxa de overhead da empresa pequena, a empresa maior fatura o dobro e lucra menos, porque o overhead subiu e o preço não acompanhou. É o clássico "quanto mais trabalho, menos sobra".
Por isso o overhead precisa ser medido de novo a cada salto de tamanho. Revisar a taxa uma vez por ano, e sempre que a estrutura muda, mantém o preço colado à realidade da empresa. Overhead não é um número que você calcula uma vez e esquece: é um retrato que precisa ser atualizado sempre que a empresa cresce.
Em menos de 5 minutos, saiba onde a sua empresa está, o que trava o crescimento e qual é o próximo passo estruturado.
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