O ajudante de US$30 por hora que, na conta fechada, custa perto de US$50. Entenda o labor burden e pare de orçar no prejuízo.
Você paga US$30 por hora ao ajudante e pensa que o custo dele é US$30. Não é. O salário é só a parte visível. Quando você soma tudo que a empresa desembolsa para manter aquele trabalhador na obra, o número real fica perto de US$45 a US$50 por hora. Esse é o custo que precisa entrar no orçamento, e é o que quase todo contractor subestima.
O salário é a ponta do iceberg. Impostos, workers comp, seguros, benefícios e tempo pago sem produção formam o "labor burden", que na construção costuma somar de 40% a 60% em cima do salário-base.
Todo mundo enxerga o valor da hora combinada com o trabalhador. O que não aparece na conta rápida é o custo de emprego: a soma de encargos e benefícios que a empresa paga por lei ou por prática. No mercado americano isso tem nome, labor burden, e ignorá-lo é orçar no prejuízo sem saber.
Estes são os componentes que transformam o salário no custo real:
Veja como o custo real se forma para um trabalhador de US$30 por hora numa construction business residencial que carrega workers comp de carpintaria e oferece alguns benefícios:
| Componente | US$ por hora |
|---|---|
| Salário-base | 30,00 |
| FICA (7,65%) | 2,30 |
| FUTA + SUTA | 0,75 |
| Workers' comp (carpintaria residencial) | 3,98 |
| General liability e seguros | 1,10 |
| Férias e feriados (PTO) | 1,35 |
| Seguro-saúde (contribuição) | 1,65 |
| Aposentadoria (match) | 0,45 |
| EPI, ferramentas e treinamento | 0,70 |
| Tempo não faturável (deslocamento, espera, retrabalho) | 2,00 |
| Custo real por hora | 44,28 |
Nesse exemplo o burden é de quase 48%: o ajudante de US$30 custa US$44 antes de você faturar um centavo. Sem plano de saúde, o número cai para a faixa dos US$42; com workers comp mais alto (telhado, por exemplo) e mais benefícios, ele passa de US$48. A referência oficial confirma a ordem de grandeza: segundo o BLS, um trabalhador da construção em tempo integral custa cerca de US$107 mil por ano em compensação total, sendo US$75 mil de salário e US$33 mil de encargos, um burden de aproximadamente 44%.
Um alerta importante: US$44 por hora é o que o trabalhador custa, não o que você deve cobrar por ele. Em cima do custo real ainda entram o overhead da empresa e a sua margem de lucro. Por isso, para aquela hora dar lucro de verdade, o valor faturado precisa ficar bem acima de US$44: na prática, a hora de um trabalhador de US$30 costuma precisar ser faturada entre US$55 e US$65. Quem cobra "US$40 porque paga US$30" está trabalhando de graça e ainda financiando o próprio prejuízo.
Calcule o seu labor burden real, trabalhador por trabalhador, com as suas taxas de workers comp e os seus benefícios. Transforme isso num multiplicador (por exemplo, custo real = salário × 1,45) e use esse multiplicador em todos os orçamentos. Refaça a conta quando as taxas de seguro ou os salários mudarem, o que acontece todo ano. O contractor que conhece o custo real da hora para de perder dinheiro em obra cheia e passa a saber, antes de assinar, se aquele preço sustenta a empresa.
O labor burden não é um número fixo que serve para todo mundo. Ele varia por dois motivos principais. O primeiro é a função: o workers' comp é cobrado por class code, e o código de telhado é muito mais caro que o de acabamento interno, porque o risco é maior. Colocar o telhadista na taxa do pintor parece economia, mas a auditoria do seguro corrige isso no fim do ano, com juros de susto. O segundo é o estado: as taxas de SUTA (seguro-desemprego estadual) e de workers' comp mudam de estado para estado, então o burden do mesmo salário é diferente em Massachusetts e no Texas.
Por isso, o número certo é o seu número. Pegue a sua folha, os seus class codes, as suas taxas de seguro e os benefícios que você realmente oferece, e calcule o burden por função. É esse cálculo que revela, por exemplo, que a sua equipe de estrutura custa 55% acima do salário enquanto a de acabamento custa 40%.
Depois de calcular, não repita a conta a cada orçamento. Transforme o burden em um multiplicador simples e use sempre. Se o custo real ficou 45% acima do salário, o seu fator é 1,45. Trabalhador de US$28 por hora entra no orçamento a US$40,60 de custo. Trabalhador de US$35 entra a US$50,75. O multiplicador elimina o erro de "esquecer" um encargo e garante que cada hora orçada carregue o custo verdadeiro.
Revise o multiplicador uma vez por ano, ou sempre que a taxa de workers' comp mudar, o plano de saúde reajustar ou os salários subirem. Com o salário da construção subindo mais de 4% ao ano, o multiplicador de hoje fica desatualizado rápido. O contractor que orça com o burden do ano passado está, na prática, dando um desconto que não escolheu dar.
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