Cenário · Mercado

O que mudou na construção dos EUA em 2025-2026

Mão de obra mais cara e escassa, tarifas encarecendo material e juros segurando a demanda. O cenário mudou, e a resposta é estrutura.

Miriam Matos Por Miriam Matos · FourRise Consulting

O mercado de construção dos Estados Unidos em 2025 e 2026 não é o mesmo de alguns anos atrás. Mão de obra mais escassa e mais cara, material encarecendo por causa das tarifas e juros segurando a demanda formam um cenário que aperta a margem de quem trabalha bem, mas opera no improviso. O que mudou não foi só o preço. Foi a exigência de estrutura.

Salário subindo, tarifa encarecendo material e juro segurando a demanda comprimem a margem por três lados ao mesmo tempo. Nesse cenário, quem não tem caixa, preço e estrutura sente primeiro.

Mão de obra: mais escassa e mais cara

A escassez de trabalhadores virou o principal gargalo do setor. Em 2025, 92% das construction businesses relataram dificuldade para preencher vagas, e 45% disseram que a falta de gente atrasou pelo menos um projeto no ano. Some a isso o efeito da fiscalização de imigração: imigrantes são mais de 23% da força de trabalho da construção, e em certos trades, como carpintaria, gesso e alvenaria, os nascidos no exterior chegam a 30%. A parcela de construction businesses afetada pela fiscalização subiu de 28% no meio de 2025 para 33% no fim do ano. Menos gente disponível empurra o salário para cima: o ganho médio por hora na construção passou de US$40 em 2026, com alta de 4,2% em doze meses.

Material e tarifas

Depois de um período mais calmo, o custo de material voltou a subir forte. Nos primeiros meses de 2026, os preços de insumos da construção subiram a um ritmo anualizado de 12,6%, o mais rápido desde a crise de suprimentos de 2022. O motor agora são as tarifas: aço, alumínio e cobre com 50%, madeira e derivados também taxados. O efeito chega direto na obra. Estima-se que as tarifas adicionem cerca de US$10.900 ao custo de uma casa nova, e mais de 60% dos contractors relataram custos maiores por causa delas. No total do projeto, a conta sobe algo entre 3% e 6%.

Juros e demanda

Do outro lado, o juro segura o cliente. A taxa de hipoteca de 30 anos ficou perto de 6,6% em 2025, com previsão de recuar para a faixa baixa dos 6% em 2026. É alívio, mas não o suficiente para destravar a demanda: o estoque de casas novas não vendidas está perto do maior nível em mais de uma década, e a construção de casas unifamiliares deve recuar cerca de 3% em 2026. Ou seja, custo subindo enquanto a demanda hesita, exatamente o aperto que separa empresa estruturada de empresa improvisada.

O que isso exige do contractor

Nenhuma dessas mudanças está no controle do contractor. O que está no controle é a resposta. Em mercado fácil, o improviso passa despercebido. Em mercado apertado como o de 2025-2026, a estrutura deixa de ser diferencial e vira condição de sobrevivência, e depois, de crescimento.

O cenário em números

Um retrato rápido do que mudou, para dimensionar o aperto:

Indicador2025-2026
Construction businesses com dificuldade de contratar92%
Alta do salário-hora na construção (12 meses)+4,2%
Construction businesses afetadas por fiscalização de imigração33%
Alta anualizada dos insumos (início de 2026)+12,6%
Custo extra por casa devido a tarifas~US$10.900
Taxa de hipoteca de 30 anos (previsão 2026)faixa baixa dos 6%

Cada linha empurra a margem na mesma direção. Salário e material sobem o custo; juros e demanda fraca limitam quanto você consegue repassar ao preço. É a combinação que testa a estrutura da empresa.

O que não mudou

Apesar de todo o ruído do cenário, o fundamento do negócio segue o mesmo, e isso é uma boa notícia. Continua valendo que quem conhece o custo real da hora, embute o overhead, precifica com margem e mantém reserva de caixa atravessa qualquer ciclo. Mercado apertado não inventou problemas novos: ele apenas expôs, mais rápido e com menos perdão, os problemas que o mercado fácil escondia.

A empresa improvisada sobrevive quando tudo está fácil e demanda sobra. Quando o custo sobe e a demanda hesita, ela é a primeira a sentir. Já a empresa estruturada usa o mesmo cenário difícil como vantagem competitiva: enquanto concorrentes desorganizados apertam o preço no desespero e quebram a margem, ela negocia melhor com fornecedor, tem caixa para escolher as obras certas e crédito para atravessar. O contractor não controla juros, tarifa nem imigração. Controla o quanto a sua empresa está preparada para responder, e é aí que a estrutura deixa de ser um luxo e vira a diferença entre encolher e crescer.

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